Teatro de Macau

CHEONG KIN I, JOVEM ACTRIZ LOCAL, PREPARA ESPECTÁCULO

Teatro de Macau a caminho a Portugal

DESDE OS 12 anos faz dos palcos de Macau a sua vida. Mas agora, aos 18, Cheong Kin I quer ultrapassar fronteiras e ir à conquista de Portugal. À convite da directora do espaço cultural Out To Box, a taiwanesa Hope Chiang Chen-Yun, a actriz local envolveu-se intensivamente na criação de uma peça de teatro que regista o desenvolvimento da cidade em termos artísticos. Assim nasceu “Affections in Landscape”.

Cheong Kin I pôs a imaginação a voar e chegou à ideia de usar o corpo para escrever caracteres chineses. “A directora deu-me uma grande liberdade de expressão.” Vou escrever com a minha sombra os caracteres que significam ‘eu sou o líquido dentro do útero da mãe’”, explica a jovem artista, que está a acabar o secundário na escola para Filhos e Irmãos dos Operadores e é sócia da Dream Theater Association, companhia de teatro amador.

Além da estreia em Macau, a 30 de Março, no Out To Box (Rua do Pato, 11), a peça já está confirmada para o próximo mês no True Color Museum de Suzhou, na província chinesa de Jiangsu. A obra artística será ainda apresentada num festival internacional polaco neste Verão e está em negociações para ser levada a Portugal na mesma altura.

Kin I começou a vida teatral quando estava na escola primária. Aos 12 anos, protagonizou a sua primeira peça, “Clínico do Dr. Guloso”. Depois, começou a participar em todas as edições do Concurso Escolar de Teatro organizado pelos Serviços de Educação e Juventude e foi seis vezes co-premiada, com “Pão de Ananás e Chá com Limão” (2004), “Paisagem da Universidade” (2005), “Grupo, Teatro, Sonho” (2006), “Um minuto, Destrói-se o Amor” (2007), “Não me diga isso” (2008), “”Epiphyllum à 1 a.m.” (2009). Teve aulas com os artistas de Hong Kong e Inglaterra Bonni Chan e Sean Curran, organizadores do “Theatre du Pif”.

Sub ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM), considerado como a melhor sala de espectáculos a nível local, é uma meta para qualquer actor local. “O Bosque Secreto” realizou o sonho de Kin I – foi uma das protagonistas, tendo-lhe trazido também uma oportunidade de intercâmbio e contacto com artistas de Taiwan, Singapura e Coreia.

“Fazia de pássaro enquanto os meus pais e o meu amante eram assasinados. Quer nos ensaios quer nos espectáculo formais, sob a orientação da realizadora [que é também Hope Chiang]”, fundi-me no papel, tendo experimentado as dores de perder os familiares mais queridos”, explica emocionada.

“Como se renascesse com uma nova identidade, uma nova personalidade, renasci”.

A actriz não se queixa da vida que tem levado. “Se um jovem quiser, há muitos lugares em Macau para aprender teatro e para realizar os espectáculos.” Kin I faz um balanço positivo quando ao ambiente local para as artes dramáticas, onde se encontram boas condições – “se entregar uma proposta detalhada, muitas entidades têm interesse em subsidiar”, assegura.

Porém, para ir mais longe na exploração das suas capacidades, Kin I sente a falta de ensino teatral com qualidade. “Uma escola com boa atmosfera não será a melhor, o melhor é estudar com um bom professor”, considera.

Devido às próximas paragens do espectáculo “Affections in Landscape” e devido às suas ambições, Kin I lamenta a sua indisponibilidade para preparar-se para o estudos universitários. “É uma pena, não vou conseguir entrar para a universidade agora. Mas não tenho outra alternativa. Quero continuar a estudar teatro fora de Macau”, diz.

Texto editado pelo e publicado no Hoje Macau em 18 de Março de 2010.

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